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LABRADOR EM APARTAMENTO. CASOS DA VIDA


Passei bons anos querendo ir para uma casa, e minha família e marido chamando-me de louca, pois tinhamos filhos pequenos e meu marido vivia viajando a trabalho, e todos diziam que casa era muito perigoso...

O motivo por querer tanto uma casa era poder ter cães. Eu já tinha tido todos os animalzinhos que podemos ter dentro de um apartamento: peixes, pássaros, gatos, hamsters, tartarugas, e até um cão de porte pequeno... Todos acabaram sendo descartados, pois cada um com seu problema peculiar, e nenhum satisfazendo meu desejo de ter realmente um companheiro verdadeiro, destes que via em filmes!!

Comecei a observar uma raça, que parecia tudo, menos pura, ficando sabendo mais tarde que se tratava do Retriever do Labrador...

myway.jpg (9407 bytes)Como o sonho da troca de nosso apartamento por uma casa estava ainda muito distante - e pelo visto só eu sonhava... - resolvi comprar meu primeiro cão de raça, com pedigree, filha de campeões... Era irresistível, estava lá a irmã dela, em página inteira na Cães e Cia...

Hoje sei que foi um plano, que acabou dando certo... mas nem sempre pode ser assim... A primeira a torcer o nariz foi a empregada que estava há vários anos comigo, achando-se dona da casa...

No início da vida do filhote no apartamento fica ainda mais difícil porque como ele não está com o esquema de vacinação completo, não pode sair à rua, muito menos conviver com outros cães, nem tão pouco pegar um sol... e o filhote por mais amor e atenção que você dê, começa a estressar, pois precisa de sol, terra, grama, e espaço... muito espaço.

My sempre foi boazinha, mas demonstrou seu estresse através de um problema bem grave de pele além, claro de roer tudo que via pela frente... Aí você dirá: É normal!!!! É um filhote!! Mas no caso dela não era não, pois ela roía coisas perigosas como mangueiras de máquina de lavar, mangueira de gás, tomadas, caminhas, ... O problema era tão grande, que cheguei à oferecê-la em co-propriedade para um criador (que graças á Deus não aceitou)!!

Quando o esquema de vacinação foi completado, começou ir a rua e só fazia suas necessiades na fora de casa. E aí começaram novos de problemas, como catar as fezes (meus filhos adolecentes se negavam), enfrentar o preconceito de parte das pessoas que transitavam pelas calçadas e que achavam que se tratava de cão feroz porque My tem a pelagem preta!

Chegou ao cúmulo de My Way apanhar, quando passeava tranquilamente na guia, ao meu lado, por um idiota que achou que ela era um Pitbull.... (nesta hora tive pena dela não ser um...)

Mas os problemas não aconteciam apenas fora de casa. Muitas vezes tínhamos que esperar o elevador chegar até 3 vezes porque quando ele chegava não podíamos entrar porque algumas pessoas morriam de medo dela ou não queriam cães perto de seus bebês em carrinhos....

Nos dias de chuvas era um terror, pois My tinha que ir à rua para fazer suas necessidades... e quando a chuva não dava trégua, lá vinha ela coitadinha, toda molhada! E isso não dá para evitar... afinal, ela precisava ir à rua mesmo nos dias frios, feriados ou domingos... E ela não tinha culpa nenhuma, que uma doida tinha resolvido criar cão em apartamento! É verdade que marido e meus filhos maiores ajudavam, se revesando, cada saída um ia... Mas iam reclamando. E como reclamavam...

Mas isto não me deteve, quando entrou em cio (outro problema), acasalou. My Way teve 9 bebês que ficaram no apartamento enquanto esperavam por seus novos donos... Mas... é claro que não vendi todos! Fiquei com uma cadelinha linda, de cara linda, super calma e que criei no apartamento, desta vez aproveitando o know-how de My Way!!!

Hoje estou em minha casa, com filhos, netos, sobrinhos, etc...de My... E quando me perguntam se vou ficar com mais 1 ou comprar mais um digo: bem, para quem já teve 9 em um apartamento...